terça-feira, 14 de março de 2023

As fraquezas militares do Minicómio (14 de Março de 2023)


O Minicómio, nação velha de 9 séculos, conhecida pelo seu povo de frouxos costumes e por se ter tornado num profundo aterro à beira-mar escavado, está novamente a braços com o levantar da manta que esconde que aquilo que deviam ser forças armadas, não passam de fraquezas.

Na verdade, diz-se e é incontestável que "este país é obra de soldados"... o que gera profundo ressentimento nos seus micromecos, gente apoucada e de pouco siso, mas promovida a elite eleita, ainda que incapaz de ultrapassar a afronta.

O Minicómio diz-se herdeiro das tradições de um grupo tribal (já então atrasado para o seu tempo) que foi capaz de por em sentido o maior aparelho militar desse tempo, um grupo apenas derrotado por dentro (ainda que há quem defenda que os traidores já eram antes desertores daqueles que os compraram para efectuar nova traição - o grande lider foi morto e os traidores também).

O tempo passou e até o Minicómio passar a ser o país criado pelo filho que bateu na mãe vários séculos decorreram.

Não existia, propriamente, uma estrutura militar, mas foram exércitos comandados de forma centralizada que provocaram a independência, a posterior expansão por terras ocupadas pela mourama, a consolidação do território.

Foram exércitos - ainda que com apoio estrangeiro - que conseguiram expulsar o país vizinho.

Foi dos exércitos que saiu a marinha que deu novos mundos ao mundo e que se bateu aquém e além mar para construir o maior e mais duradouro império da humanidade.

Foram exércitos que - lado a lado com o povo - voltaram a expulsar um usurpador vizinho, para pouco mais tarde - com sacrifício do povo e ajuda estrangeira - se expulsar por 3 vezes os exércitos de um pequeno tiranete que já tinha conseguido, uma vez mais, pôr a Europa toda em sentido.

Sim: foram exércitos, saídos do povo, e a marinha conseguida de forma semelhante e também já militar, quem fez do reino o país que hoje é o Minicómio.

Entre tantas evidências de heroísmo, não faltam outros tantos testemunhos de ingratidão, que justificam a quadra:

"Na tempestade e na guerra
se ama a Deus e ao soldado
Vinda a paz, e acalmada a terra
Deus é esquecido, o soldado ignorado"

Vem isto a propósito de recente sururu relacionado com uns marujos amotinados que se recusaram a embarcar numa piroga que - dizem as más línguas - está pouco para mares bravios.
Ora se há coisa que é repetitiva na história do Minicómio é a reticência permanente em investir na sua "tropa" durante a acalmia.
É bem verdade: dispor de aparelho militar é um "capricho" dispendioso, e num país "pobre" a voluntariedade para tirar da boca para pôr na parada é limitada.
A última guerra combatida pelo país já acabou vão mais de 40 anos, donde o declínio de investimentos na força armada merece toda a argumentação, vistas as formas mais rendosas (do ponto de vista eleitoral) de melhor empregar o dinheiro dos minimecos (i.e. - os impostos).
Primeiro reduziu-se (drasticamente) o efectivo militar e acabou-se com o modelo de conscrição.
Depois, foi-se cortando o orçamento para o indispensável treino militar - a tropa, em vez de disparar, faz pum-pum com a boca e brinca aos soldadinhos ouvindo as rábulas do saudoso Solnado.
Há sistemas de armas que quase não foram disparados. Há componentes de viaturas que já foram recuperados da sucata.
Há assaltos a paióis porque a guarda é insuficiente, mas o ridículo é que não há lá grande coisa para roubar.
E agora há uma guarnição que se recusa a cumprir uma missão superiormente atribuída porque - alegam os insurrectos - a barcoleta onde deviam seguir não está em condições de navegar.
Uma recusa ao cumprimento de uma missão tem um nome: Insubordinação.
A insubordinação é um crime essencialmente militar. Não cai sob a alçada do RDM (Regulamento de Disciplina Militar) mas sim do CJM (Código de Justiça Militar). Uma infracção disciplinar (infracção ao RDM) pode ter consequências menores, mas passageiras. Um crime essencialmente militar é julgado em tribunal e a moldura penal é muito diferente - e (em caso de condenação) leva a um cadastro.
Ou seja, não é de ânimo leve que alguém se predispõe a tal, ainda para mais em tempo de paz, quando não está em risco a vida do recalcitrante.
Por alguma razão inconsciente, estou levado a acreditar que os reclamantes estão com a razão.
Bem o sabemos: lisura é algo que os mandantes raramente usam e não me admira que se consiga fazer dos inocentes os piores culpados. Há muitos nomes em jogo e todos altamente colocados.
Mas conhecendo bem a "prata da casa" e os hábitos que a norteiam, se eu fosse marinheiro, provavelmente também me recusaria a embarcar em tal navio...