Eu sei – o NAL (Novo Aeroporto Lindíssimo)
é um assunto que já vem sendo estudado desde os tempos em que, pasme-se, ainda
nem havia aviões. E ainda há quem diga que no Minicómio tudo se faz de
improviso, sem planos, sem lei nem ordem.
Naturalmente, coisas desta magnitude
querem-se pensadas e tantos são os interesses envolvidos que será difícil
contentar todos.
Assim de repente, este que vos escreve,
numa orgia de sinapses sem paralelo, descobriu uma solução que só pode ser a
perfeita: em vez de um grande NAL, o que os minimecos precisam é de pequenos
Nós Aéreos Ligeiros (até se mantém o acrónimo, o que facilitaria a distribuição
de verb… aaahhhh… de passageiros, é isso, de passageiros) o que evitaria
concentrações excessivas, permitiria encaminhar visitantes e outros viajantes
para áreas onde de imediato sentissem a acessibilidade aos seus anseios e
agrados e permitiria contentar, se não todos, pelo menos a larga maioria.
Vejamos:
1 - Sem querer transformar o Minicómio num
destino de turismo sexual, não queremos também excluir os viajantes que não
rejeitam a cedência a tentações das mais diversas. Aliás, o Minicómio, como
destino ou como ponto de partida, pugna por ser inclusivo. Nesta medida, faz
sentido a erecção de NALs nas seguintes localidades: Alçaperna (Lousã), Bendada
(Belmonte), Bicos (Odemira), Coina (Barreiro), Colo do Pito (Castro Daire,
Viseu), Curral das Vacas (Chaves), Lugar das Porreiras (Matosinhos), Monte da Agachadinha (Odemira), Monte do Bom
Sítio (Odemira), Pedaço Mau (Vila Nova de Famalicão), Perna De Pau (Sobral de
Monte Agraço), Picha (Castanheira de Pena), Pico da Regalada (Vila Verde), Porreiras
(Paredes de Coura), Porto da Carne (Guarda), Sobral Pichorro (Fornos de
Algodres), Vale das Gatas (Sabrosa), Monte
das Pitas (Silves), Pêga (Guarda), Vacaria (Oliveira de Azeméis), Vale da Porca
(Macedo de Cavaleiros), Vale de Prazeres (Fundão), Várzea da Ovelha Aliviada (Marco
de Canaveses), Venda da Gaita (Castanheira de Pêra), Soito da Ruiva (Arganil), Solteiras
(Tavira) e, finalmente, Venda das
Raparigas (Benedita, Alcobaça).
Como se vê, se o assunto cheirar a
pouca-vergonha e promiscuidade, a oferta disponibilizavel pelo Minicómio é
variadíssima, o que sugere que os minimecos são um povo bastante dado à
diversão.
Por maioria de razão são de evitar locais como (e que me perdoem os seus
habitantes) Derreada (Castanheira de Pêra), Manta rota (Vila Real de Santo
António), Maria Vinagre (Aljezur) e Moço Morto (Vila Nova de Famalicão) – são locais
que afastam de imediato toda a ideia de romantismo.
Mas porque paixões há muitas e deve o
Minicómio ser apelativo em vez de agoirento, são também de evitar locais como Boi
Morto (Marco de Canaveses), Monte de Bois (Alcobaça) e Boidobra (Covilhã), Cabeçadas (Oliveira do
Hospital) e Cabeçudos (Vila Nova de Famalicão), Corno de Bico (Paredes de Coura),
Sarilhos Grandes (Montijo), Sarilhos Pequenos (Moita) ou Vale de Azares (Celorico
da Beira).
Ratoeira (Vila Nova de Cerveira) também
não será muito recomendável pela conotação negativa que confere à relação
amorosa a quem nela está de boa-fé.
Sendo o NAL discutido há (pelo menos) meio século, julgo ter, desta forma, contribuído para enriquecer a ideia e já que qualquer um dá palpites e promove debates com propostas avulsas, atrevo-me a dizer com toda a imodéstia que esta minha proposta é a mais abrangente que já tive a oportunidade de ler e a que tem mais possibilidades de contentar mais minimecos (e mesmo micromecos e um ou outro badameco). Sendo eu um deles, encerro a ideia com uma última proposta e que, sugerindo um lugar central, teria grandes possibilidades de granjear a maior intensidade de tráfego de passageiros: Pedros (Figueira da Foz).
Depois deste último “sim”, encerro com a recomendação de um último “não”: evitem a Campa do Preto (Gemunde, Maia) devido às conotações racistas que inevitavelmente irão surgir.
E com isto ponho a última pedra no assunto.
(PS: Faço notar que esta minha sugestão tem um
outro mérito que é o de ser a que é mais inclusiva que também já me foi dado a escrever: em todo o texto falei de
viajantes, e não de minimecos ou minimecas, indo deste modo ao encontro da, tão
em voga, igualdade de género.)

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