O Zé das merdalhas
O Minicómio é um país fantástico! Tão depressa se apressa a louvaminhar um qualquer nóvel aprendiz de celebridade por ter feito um qualquer feito insignificante, como se inibe de premiar (ou mesmo apenas de retribuir) a alguém cujo esforço, dedicação e resultados são amplamente reconhecidos, sob pretexto de não abrir precedentes de que outros igualmente merecedores se queiram aproveitar.
Faz sentido.
Um dos grandes feitos do actual regime que vigora no Minicómio é precisamente a profusão com que alegremente premeia qualquer zé da esquina cujas flatulências se sobreponham em odor e sonoridade às flatulências do vulgacho.
E, em linha com a pulsão recompensadora, o supremo micromeco da nação - por inerência e dever constitucional, também guardião e grão-mestre das ordens onoríficas (o "h" é intencionalmente omitido para que não se confunda ficção com realidade), numa interpretação imbuída do mais acrisolado sentido do dever no que a tais obrigações diz respeito, entrega-se com grande sacrifício pessoal a distribuir merdalhas, das mais significativas às mais corriqueiras, a todo o cão de rua que de repente queiram fazer barão, numa recriação de uma antiga aristocracia hoje tão desprezada, mas esta nova tão adulada.
Aqui este que vos escreve bem que procurou, mas assim do pé p'rá mão não é fácil contabilizar quantas merdalhas já foram distribuídas pelo actual ocupante do trono pátrio.
Mas, como cantava o poeta "eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos".
Talvez por isso, o insigne grão-mestre decide contribuir para a renovação do stock pelo exaurimento do existente, nomeando estrangeiros para galardões internos.
O último agraciado deve estar orgulhosissímo! A braços com uma guerra que não sabe se algum dia irá vencer, esperava assim uns blindados ou mesmo fisgas, enfim, coisas que possam fazer, no mínimo, umas equimoses aos soldados do inimigo, mas não: dão-lhe uma merdalha para ele exibir ao seu povo e, quiçá, com isso levantar-lhe o moral a tal ponto que eles (os seus concidadãos) já gritam entusiasmados "até os comemos"!
Não sei, não.
O Minicómio recebeu uma bazooka em prestações (segundo consta, já recebeu a última). O Minicómio tem dedicado menos que 2,5% do seu orçamento doméstico à defesa, o que, sem surpresas (2,5% de muito pouco é quase nada!) tem como resultado que os seus soldados treinam o tiro fazendo pum-pum com a boca, sendo o melhor classificado em tiro o que conseguir o "pum-pum" mais afinado e mais sonoro. Falar de blindados é entrar em fantasias e falar de sistemas de comunicações é entrar em ciências exotéricas.
Por isso, em vez de blindados o país oferece merdalhas.
Faz sentido.
O nosso supremo-micromeco não passa de um zé das merdalhas... mas está precisamente à altura do país onde pontifica.
Que ao menos a última prestação nos ajude - comprem barcos. Não de guerra. Não!
De transporte.

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