Malta! Para todos aqueles de entre vós que algum dia foram a um circo, irão reconhecer esta descrição:
- Luz e cor
- Números variados de diferentes artes
- Palhaços. Não há circo sem palhaços!
- Feras. Não há circo sem feras, embora convenientemente domadas por um domador encartado
- Mágicos. Na maioria dos circos há alguém a fazer números de prestidigitação em que convencem a audiência de conseguirem fazer desaparecer (sabem eles para onde) o que conseguem que alguém de entre a audiência lhes confie para o número da noite, bem como conseguem fazer sair aves raras de lenços enrodilhados e coelhos de cartolas que mais parecem penicos em que a asa é substituída por uma aba (passe o preciosismo - o que os distingue é mais que uma mera letra)
- Trapezistas, equilibristas, contorcionistas e outros malabaristas
E em que raio se pode o Minicómio parecer com tudo isto?
Em TUUUUDDDDOOOO! Tudinho!
- Tem um apresentador sorridente e barrigudo que consegue atrair a simpatia da audiência.
- As artes e distrações são tantas que a audiência se perde e perde a noção da diferença entre realidade e espectáculo
- Há palhaços. Muitos. Com a originalidade de estarem entre os espectadores. Os espectadores são os palhaços.
- Feras. Por razões de segurança e protecção animal, no grande circo do Minicómio as feras estão ocultas e só actuam na sombra - ninguém sabe quais são, ninguém as vê.
- Mágicos! É aqui que o Minicómio mereceria os "óscares das artes circenses" se tal galardão existisse.
É que números de magia, de ilusionismo e de prestidigitação são uma constante, cada um melhor e mais intrigante que o seguinte.
O mais recente foi protagonizado pelo mestre de cerimónias que faz a apresentação de todos os números e respectivos actores:
Ele vai distribuir dinheiro (que não tem) pela audiência (composta por uma maioria absoluta de palhaços, recorde-se) convencendo-os de que está a ajudá-los. Convence-os mesmo que lhes está a dar algo de significativo - esfuziantes, os palha... os espectadores aplaudem a maravilha. Na volta vai-lhe tirar mais do que aquilo que os convenceu de lhes estar a dar agora... e os mesmos aplaudem maravilhados.
O dinheiro desaparece e ninguém se deu conta disso.
- Entram (a fechar) os trapezistas, os equilibristas e os demais malabaristas para gáudio da audiência. Distraídos com tantos números em simultâneo, aplaudem mas sem saber porquê.
O espectáculo encerra para manutenção do espaço para a actuação seguinte.
O povo regressa a casa prometendo voltar a um circo tão fantástico... apesar da pobreza do espectáculo e da má qualidade da troupe.
Fim da história.
Bem vindos ao grande circo do Minicómio.

Na boa tradição dos nossos escritores do sec. XIX.
ResponderEliminarCaro MATS - nao vá o sapateiro além da chinela e não me atreva eu a subir além da minha altura! Obrigado pelo comentário (que tomo como elogio) mas não me tenho como digno de tanto.
EliminarLimito-me a olhar para a realidade que o estigmatismo dos meus olhos me permite observar e comento-a de acordo com o que vejo.
Um abraço