O Minicómio é um país enganoso para os seus cidadãos, os minimecos (e tanta é a convicção com que bolsam as alarvidades que diariamente se lhes ouve proferir, que começo a desconfiar que seja enganoso até para os micromecos).
Eu explico:
Nós, minimecos, temos a mania que sabemos tudo - até mais que os "especialistas", essa nova categoria de autoridades eruditas que ninguém pode contestar, desde logo porque se eles são especialistas, é porque "eles é que sabem".
E como nós, minimecos, temos a mania que sabemos tudo - de tudo - tendemos a olhar a tudo de relance e assumimos ter de imediato percebido o filme todo. Evidentemente, olhares de relance valem o que valem, precisamente devido ao facto de serem as observações mais enganosas que podemos imaginar.
Felizmente nós, minimecos, somos bafejados com a suprema fortuna de termos micromecos ponderados e esclarecidos que rapidamente nos clarificam aquilo que poderíamos estar a deturpar devido à ligeireza com que olhamos à realidade.
Assim, tivemos em tempos um micromeco que nos esclareceu que uma conhecida colecção de obras de arte não estava desaparecida: apenas não se sabia onde é que ela estava!
Ora só um burro não percebe que as nuances da semântica e da sintaxe mascaram diferenças profundas entre o estar desaparecido e o não se saber onde está. No primeiro caso, aquilo que está desaparecido diz ao interessado (ou do interessado) que ele não sabe onde está o objecto em causa, mas alguém o saberá, embora também não se saiba quem é esse alguém. No segundo caso, aquilo que não se sabe onde está, está desaparecido para alguns, embora não se saiba quem são os outros, os que sabem onde está aquilo.
Percebem a diferença?
Se não percebem, ou são estúpidos (o que não é mau de todo) ou da oposição (o que vai dar no mesmo e ainda pode ter consequências profissionais e sociais).
Por exemplo, o Minicómio não está na miséria. Apenas não tem dinheiro (nem para mandar tocar um cego).
O que é precisamente o que se passa com os minimecos e que lhes deve elevar o moral, evitando depressões (não as financeiras - com a situação de tesouraria que os acompanha, a depressão financeira já lhes tocou há muito - é mesmo as nervosas) e eu, que tendo para o optimismo por mais pateta que isso me faça, fico muito mais aliviado por saber que não estou na miséria - apenas não tenho dinheiro.
Aliás, o primeiro-micromeco já há tempos que se ufana de ter virado a página da austeridade. Claro que a página seguinte é a da frugalidade (o termo foi lançado por ele - não estou a inventar nada!). Evidentemente que só um minimeco burro (por definição e herança genética, se é minimeco é burro) não percebe que há uma diferença profunda entre austeridade e frugalidade - é também o meu caso, mas também sou minimeco.
Incêndios florestais, este ano, no Minicómio, até foram uma coisa boa - afinal de contas, ardeu menos 30% do que era esperado (não sei se esta era uma chamada de atenção para os causadores de incêndios acidentais não se estarem a empenhar tanto como era esperado).
A companhia aérea estratégica também esteve muito bem - deu menos prejuízo do que no ano passado. (Nem sei c'umé que o primeiro-micromeco decidiu, assim de repente e contra tudo o que andou a impingir aos minimecos durante mais de 8 anos, vender novamente a dita a privados).
A mais recente foi a do micromeco que de forma lapidar anunciou que não há alunos sem aulas, mas sim horários de ensino por atribuir. Fantástico! Eu, minimeco e pai de filhos em idade escolar, fico muito mais sossegado ao saber que não é que eles não tenham as aulas todas - o que acontece é que alguns horários de algumas disciplinas não estão atribuídos
Faz lembrar a da recente demissionária que, embora não textualmente, o que quis dizer foi que "os hospitais até estão muito bem, mas o mal é os minimecos adoecerem".
Doente fico eu com isto tudo. E doente - muito doente - está o Minicómio.
É que os minimecos não são burros. Apesar de todas as provas que são governados por trafulhas e incompetentes, eles apenas prescindem do uso da massa encefálica e dão maiorias absolutas a gente desta...
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