segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Obviamente demitam-no (quer o fedelho)

O Minicómio, país a braços com uma crise económica crónica, tem a maravilhosa qualidade de ser habitado por um povo cheio de princípios (os minimecos), princípios esses que são religiosamente passados de geração em geração, logo a partir do berço. O país pode não ter dinheiro, mas tem valores, catano!

É precisamente esta a razão pela qual abraçam as causas mais altruístas com todo o pundonor, e mais ainda quando se trate de causas abraçadas pelos seus jovens, que a elas dedicam toda aquela generosidade inerente à sua tenra idade.

Vem ao caso que assim de repente a juventude descobriu que uma miúda estrangeira adquiriu notoriedade mundial berrando lugares comuns sobre climatologia, exibindo unicórnios e profetizando as piores desgraças, papagueando-as de oráculos anteriores que leu à pressa sem ter percebido que estão ultrapassados - nenhum dos catastrofismos prognosticados se concretizou dentro do prazo adiantado no momento em que foi formulado, mas o que é preciso é insistência porque sendo o clima uma sequência de alterações de amplitude variável às condições atmosféricas, não sendo impossível que se verifique a leitura dos búzios lançados, correm o risco de algum dia vir a acertar (embora seja mais provável que, se alguém, todos os dias, me vier dizer "tu vais morrer amanhã" algum dia venha a acertar ainda que não faça a menor ideia de quando esse dia virá).

Portanto, inspirados pelo exemplo da outra tonta, os jovens minimecos puseram de lado os tablets alimentados a baterias de lítio por uns dias  e resolveram encetar uma jornada de luta de duração que ainda não conhecemos (pode acabar hoje, ou sabe-se lá quando) - e porque nestas coisas temos que ser todos solidários e um por todos e todos por um e coiso, não só fizeram a sua greve, como democraticamente obrigam todos a aderir, mesmo que não acreditem na causa em questão: toda a gente sabe que o mundo está em perigo e portanto não pode haver discussão.

E é uma coisa linda de ver: os adultos, embevecidos com a capacidade galvanizadora dos seus rebentos, não hesitam em apoiar a decisão, que os jovens querem-se é interventivos e participantes dos problemas comuns da sociedade e patati patitá.

Embora tenha as minhas dúvidas sobre a honestidade e sinceridade destes jovens grevistas relativamente à causa invocada - e sobre a sua idoneidade moral e científica para a abraçar - não consigo deixar de me sentir incomodado sempre que alguém impõe aos demais o seu modo de ver. Se uns entendem que uma greve estudantil irá tornar o mundo melhor, siga: façam lá a porra da greve. Daí a sentirem-se com autoridade para obrigar todos a não ir às aulas é que já é preocupante, e mais quando responsáveis pedagógicos afirmam sem pudor que se deve dar sempre ouvidos e aplaudir os jovens que querem um mundo melhor.

O que me leva à afirmação de que se algo está mal com estes jovens, a culpa não é totalmente deles, mas de quem lhes lava o cérebro com teorias estapafúrdias. Até lhes podem ensinar que a greve é um direito, mas não se esqueçam de os advertir de que não é uma obrigação. Nunca! 

Até lhes podem ensinar que há alterações climáticas, mas não se esqueçam de lhes dizer que não há provas de que isso seja culpa da actividade humana (e que não é a demissão de um ministro - exigência que não compete a jovens abaixo da idade de votar - que será a solução para esse problema). 

Que peçam a demissão do micromeco da instrução escolar porque ele não resolve os problemas do ensino ainda admitiria, mas o da economia???

Ó fedelhos!!! Ide lá para casa arrumar o vosso quarto e ajudar os vossos paizinhos com as lides domésticas, que a mudança do mundo começa em cada um e não nas exigências que quer impor aos demais.

Que fique claro: o micromeco posto em causa pela garotada, já eu o tinha criticado e muito (antes de ser micromeco). Que o plano que ele produziu (uma prosa monótona e repetitiva em 120 páginas advogando a imprescindibilidade do populismo estatizante) é uma cagada que não resolve problema nenhum (pelo contrário: adia a resolução dos que há e cria outros para o futuro) também eu o disse em tempos - claro que o que eu disse é apenas a opinião da leitura das primeiras 50 páginas e do resto dos títulos das 70 páginas seguintes. Mas ao menos li 50 páginas! Não sei quanta gente leu o documento todo, não sei quanta gente leu também as primeiras 50 páginas e só essas, não sei quanta gente leu sequer alguma linha daquilo tudo - imagino que muito pouca. Imagino que são mais os que comentaram sem ler, do que os que conhecem o dito documento. E os comentários que estes betinhos do papá foram fazer para as televisões são prova (parcial) da validade destas minhas especulações.

Uma vez mais, não é culpa deles: se nem os adultos o leram, mas mesmo assim não se abstém de o discutir, porque não podem também eles - jovens que ninguém espera que o tenham lido - comentar?

Pois!

Mas já agora, ensinem outra coisa às crianças: quando se faz um protesto, não basta questionar aquilo que se acredita estar mal. É preciso propor soluções. Sim! Ter ideias para solucionar os problemas (e saber que se vão criar problemas ainda piores que aqueles que querem resolver, então isso não são soluções.

Iiiiisso é que era!!!

Sem isso, aquilo que eu (pai de 2 que espero não-grevistas por motivos como estes) espero do micromeco da instrução escolar é que ponha ordem na casa. Não será com a minha benção que os meus filhos aderem a esta greve e se alguém os obrigar a aderir (a esta ou a qualquer outra contra a sua vontade) isso merecerá o meu repúdio. E se o micromeco da tutela não for capaz disso, então digo eu: obviamente demitam-no!

Sem comentários:

Enviar um comentário