quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Caso prático...

 






O sinal constante da primeira foto é um bom exemplo de como as boas intenções têm tantas vezes os piores resultados - impedindo os verdadeiros amantes da natureza de a frequentar e utilizar, na verdade, o que as autoridades conseguem é que só a vão frequentar os que não ligam a leis nem a regras, tantas vezes os que se estão marimbando para a natureza e apenas interessados no seu lucro e bem estar pessoal, se necessário à custa do bem-estar alheio, se necessário, à custa da própria natureza - ficam, desta forma, com toda a liberdade de movimentos, uma vez que dificilmente alguém estará por perto para impedir ou dificultar malfeitorias.
Ao ver tal foto, o meu comentário foi "dá vontade de o arrancar e atirar para muito longe" - isto aconteceu nessa plataforma livre e democrática que é o facebook, uma liberdade e conceito de democracia que esbarra nuns auto-proclamados "padrões da comunidade" - coisa que nunca vi votada ou discutida, e que, portanto, não é mais do que uma arbitrariedade de uns ayatollahs armados em senhores da razão.
Naturalmente (ou nem tanto) o comentário foi bloqueado - conforme a 2ª foto demonstra (mas não mostra explicitamente), foi considerado ofensivo dos tais "padrões da comunidade".
No prosseguimento das tentativas de alegações em defesa de inocência e inocuidade do comentário (onde numa primeira tentativa recebi como resposta "o teu pedido não pode ser processado neste momento - tenta mais tarde"), depois de várias vicissitudes e insistências acabo por chegar casualmente ao interface da 3ª imagem: em mais de um milhão de reclamações, o FB (ou quem o representa nestes casos) conseguiu analisar pouco menos de 30, ou seja, menos que 0,003%...
Democrático, não é?

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Ser ou não ser o MAIOR, eis a questão!


 Malta!

Digo-vos que tendo sido eu a autoridade papal a reconhecer a existência dessa entidade política e autónoma que é o Minicómio, é-me - sempre que não me resta outra opção - desconfortável falar de realidades fora deste país imaginário e (cof cof) impossível de testemunhar.

Por vezes a vida do resto do mundo fala mais alto e não resisto a comentá-la.

Para isso, tenho que transpor as fronteiras da ficção (tenho passaporte e visto de imigração legalizado) e descrever as realidades desse mundo a que procuro fugir fixando a minha residência no país dos minimecos e micromecos e de muitos outros badamecos.

Hoje deu-me, portanto, para falar do pontapé nas bolas (oooops - isso é no Minicómio! no resto do mundo é football, ou futebol, ou, no mundo hispanico onde se cultiva ao extremo a protecção da própria língua, balonpied).

E a que propósito vem isto?

"Deixade-me" fazer um recapitulativo de alguns dos grandes craques do passado desta modalidade:

Ferenc Puskas, Alfredo di Stefano, Edson Arantes do Nascimento (Pélé), Eusébio da Silva Ferreira, Diego Armando Maradona... em mais de 100 anos da modalidade, poucos nomes reunirão tanto consenso na votação para o panteão dos GRANDES como estes.

Isto, até à década anterior, em que dois nomes surgem com lugar garantido nesse panteão (mas deixem-nos lá morrer primeiro, de preferência, de velhice): 

Lionel Andrés Messi Cuccittini e Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

Cada um deles tem uma imensa legião de admiradores, cada um deles tem uma imensa multidão de detractores.

Eu, que vos escrevo, não escondo a minha preferência pelo "nosso" (as referências recentes bem demonstram que não é nosso nem de ninguém, mas isso é algo que só está ao alcance de poucos).

Falemos então deste (ou melhor: deixem-me falar):

Não vou aqui falar do passado dele, embora algumas pinceladas sejam imprescindíveis para lhe pintar o retrato: oriundo de uma família humilde, onde imperavam vários caracteres normalmente associados a inimigos do desenvolvimento individual, este MEU herói tinha tudo para falhar.

Dizem todos os relatos que ele comeu o pão que o diabo amassou antes de dar a volta por cima, mas que nunca desistiu nem nunca perdeu o foco - sempre soube onde queria chegar e o que queria ser.

Na verdade, não sei se não terá começado por objectivos mais modestos, mas que à medida que viu concretizados, foi procurando novos horizontes (se por improvável casualidade ele um dia ler esta prosa, ele que confirme ou negue isto que acabo de especular).

Sei que começou no Sporting Clube de Portugal, clube onde começou a brilhar antes de ter idade para isso. Daí às convocações para a selecção foi um salto e lembro-me do que me chocava o nosso Euro-2004 em que outro craque (muito bom, mas talvez ofuscado por um brilho mais puxado que natural do outro, foi muito injustiçado) naturalizado, em vários jogos carregou a selecção portuguesa às costas, mas todos os créditos eram atribuídos a um miúdo cada vez mais mimado e embirrento, que pouco fazia para justificar o crédito que lhe atribuíam - estou a falar do Anderson Luíz de Souza (mais conhecido por Deco).

Cristiano Ronaldo, ainda um diamante em bruto, comportava-se como uma prima-dona que se tomava por todo o coro e toda a orquestra.

Os tempos passam, as pessoas mudam e os diamantes em bruto lapidam-se.

Hoje, os números falam por ele.

Hoje, ele pode permitir-se vir à imprensa e dizer o que lhe vai na alma (lembram-se de em tempos Luís Figo ter feito algo semelhante em relação à selecção?)

Honestamente, tenho uma enorme admiração pelos nossos emigrantes - queiram ou não, Cristiano Ronaldo é um deles.

Mas em relação ao emigrante comum, há que dizer que há alguns traços que o distinguem, a par de tantos outros que o aproximam:
- Tem uma origem humilde e a percepção de que se se quer ver valorizado tem que sair daqui
- Tem uma educação pouco acima do analfabetismo, mas foi para Espanha e aprendeu o castelhano, foi para Itália e aprendeu o italiano, foi para Inglaterra e aprendeu o inglês (um menino bem com educação superior passou mais de uma década em França sem ter conseguido dominar o francês - escuso-me de dizer quem foi, mas só foi grande aqui... e não para todos)
- Tem uma capacidade de definir objectivos e lutar como poucos, algo só ao alcance dos estóicos

O que mais o distingue do resto dos emigrantes é que ele - caso único em Portugal e no mundo - na sua área profissional conseguiu resultados traduzidos por números que mais nenhum outro conseguiu. 
Haverá sempre quem diga que não, que o Messi tem mais bolas de ouro - pois. Mas as bolas de ouro foram conseguidas por votação (ou seja, sujeitas ao gosto subjectivo dos votantes), enquanto que os números do nosso foram conseguidos por ele, com os próprios pés, em frente a milhares de pessoas e não na escuridão de gabinetes.

Não vou dizer que o outro não seja bom. Mas tenho dúvidas que esteja acima do nosso.

Talvez esteja na altura de ele arrumar as botas. Afinal de contas, só guarda-redes o ultrapassam em longevidade competindo a este nível - outros que continuaram, passaram para campeonatos de competitividade e exigência inferior, o que não tem comparação com estes onde ele ainda compete. Embora muitos opinem sobre isso, a decisão é dele.

A fechar:

Como português, claro que gostava que a selecção trouxesse o caneco. Como admirador de alguém que chegou muito mais longe do que eu e do que todos os outros que o criticam, teria um gosto acrescido em ver a selecção ganhar com ele (mesmo sabendo que se isso acontecer, haverá portugueses tão estúpidos que irão dizer que ganhou "apesar dele").

Não sei o que ele ainda nos vai dar.

Ele que saiba que lhe estou grato pelo que já nos deu. Gostava que os meus filhos tivessem a mesma atitude.

Se ele é o maior ou não, isso fica ao critério de cada um.

Obviamente demitam-no (quer o fedelho)

O Minicómio, país a braços com uma crise económica crónica, tem a maravilhosa qualidade de ser habitado por um povo cheio de princípios (os minimecos), princípios esses que são religiosamente passados de geração em geração, logo a partir do berço. O país pode não ter dinheiro, mas tem valores, catano!

É precisamente esta a razão pela qual abraçam as causas mais altruístas com todo o pundonor, e mais ainda quando se trate de causas abraçadas pelos seus jovens, que a elas dedicam toda aquela generosidade inerente à sua tenra idade.

Vem ao caso que assim de repente a juventude descobriu que uma miúda estrangeira adquiriu notoriedade mundial berrando lugares comuns sobre climatologia, exibindo unicórnios e profetizando as piores desgraças, papagueando-as de oráculos anteriores que leu à pressa sem ter percebido que estão ultrapassados - nenhum dos catastrofismos prognosticados se concretizou dentro do prazo adiantado no momento em que foi formulado, mas o que é preciso é insistência porque sendo o clima uma sequência de alterações de amplitude variável às condições atmosféricas, não sendo impossível que se verifique a leitura dos búzios lançados, correm o risco de algum dia vir a acertar (embora seja mais provável que, se alguém, todos os dias, me vier dizer "tu vais morrer amanhã" algum dia venha a acertar ainda que não faça a menor ideia de quando esse dia virá).

Portanto, inspirados pelo exemplo da outra tonta, os jovens minimecos puseram de lado os tablets alimentados a baterias de lítio por uns dias  e resolveram encetar uma jornada de luta de duração que ainda não conhecemos (pode acabar hoje, ou sabe-se lá quando) - e porque nestas coisas temos que ser todos solidários e um por todos e todos por um e coiso, não só fizeram a sua greve, como democraticamente obrigam todos a aderir, mesmo que não acreditem na causa em questão: toda a gente sabe que o mundo está em perigo e portanto não pode haver discussão.

E é uma coisa linda de ver: os adultos, embevecidos com a capacidade galvanizadora dos seus rebentos, não hesitam em apoiar a decisão, que os jovens querem-se é interventivos e participantes dos problemas comuns da sociedade e patati patitá.

Embora tenha as minhas dúvidas sobre a honestidade e sinceridade destes jovens grevistas relativamente à causa invocada - e sobre a sua idoneidade moral e científica para a abraçar - não consigo deixar de me sentir incomodado sempre que alguém impõe aos demais o seu modo de ver. Se uns entendem que uma greve estudantil irá tornar o mundo melhor, siga: façam lá a porra da greve. Daí a sentirem-se com autoridade para obrigar todos a não ir às aulas é que já é preocupante, e mais quando responsáveis pedagógicos afirmam sem pudor que se deve dar sempre ouvidos e aplaudir os jovens que querem um mundo melhor.

O que me leva à afirmação de que se algo está mal com estes jovens, a culpa não é totalmente deles, mas de quem lhes lava o cérebro com teorias estapafúrdias. Até lhes podem ensinar que a greve é um direito, mas não se esqueçam de os advertir de que não é uma obrigação. Nunca! 

Até lhes podem ensinar que há alterações climáticas, mas não se esqueçam de lhes dizer que não há provas de que isso seja culpa da actividade humana (e que não é a demissão de um ministro - exigência que não compete a jovens abaixo da idade de votar - que será a solução para esse problema). 

Que peçam a demissão do micromeco da instrução escolar porque ele não resolve os problemas do ensino ainda admitiria, mas o da economia???

Ó fedelhos!!! Ide lá para casa arrumar o vosso quarto e ajudar os vossos paizinhos com as lides domésticas, que a mudança do mundo começa em cada um e não nas exigências que quer impor aos demais.

Que fique claro: o micromeco posto em causa pela garotada, já eu o tinha criticado e muito (antes de ser micromeco). Que o plano que ele produziu (uma prosa monótona e repetitiva em 120 páginas advogando a imprescindibilidade do populismo estatizante) é uma cagada que não resolve problema nenhum (pelo contrário: adia a resolução dos que há e cria outros para o futuro) também eu o disse em tempos - claro que o que eu disse é apenas a opinião da leitura das primeiras 50 páginas e do resto dos títulos das 70 páginas seguintes. Mas ao menos li 50 páginas! Não sei quanta gente leu o documento todo, não sei quanta gente leu também as primeiras 50 páginas e só essas, não sei quanta gente leu sequer alguma linha daquilo tudo - imagino que muito pouca. Imagino que são mais os que comentaram sem ler, do que os que conhecem o dito documento. E os comentários que estes betinhos do papá foram fazer para as televisões são prova (parcial) da validade destas minhas especulações.

Uma vez mais, não é culpa deles: se nem os adultos o leram, mas mesmo assim não se abstém de o discutir, porque não podem também eles - jovens que ninguém espera que o tenham lido - comentar?

Pois!

Mas já agora, ensinem outra coisa às crianças: quando se faz um protesto, não basta questionar aquilo que se acredita estar mal. É preciso propor soluções. Sim! Ter ideias para solucionar os problemas (e saber que se vão criar problemas ainda piores que aqueles que querem resolver, então isso não são soluções.

Iiiiisso é que era!!!

Sem isso, aquilo que eu (pai de 2 que espero não-grevistas por motivos como estes) espero do micromeco da instrução escolar é que ponha ordem na casa. Não será com a minha benção que os meus filhos aderem a esta greve e se alguém os obrigar a aderir (a esta ou a qualquer outra contra a sua vontade) isso merecerá o meu repúdio. E se o micromeco da tutela não for capaz disso, então digo eu: obviamente demitam-no!

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Diário de um assalariado no Minicómio

 Dia 1

Querido diário: hoje, recebi (finalmente) o salário... disseram-me que era o de há 2 meses, e que o do mês passado e o deste mês mo pagam brevemente. Para mim, foi o deste mês, porque as contas por pagar dos dois meses em atraso, já não as vou pagar de forma alguma e com o que ganho já é bem bom se conseguir pagar os gastos do mês que tenho pela frente - felizmente, ganho bastante mais do que o salário mínimo - cerca de 3 vezes mais, o que até é bastante acima da média do país e me coloca no escalão tributário dos ricos. Mas com um filho na escola, nunca sobra grande coisa. Sempre soube a novidade - ver algo no extracto bancário sem o costumeiro tracinho "-" a preceder a quantia... vamos ver até onde o consigo esticar.

Dia 2

Querido diário: aproveitando o salário fresquinho, fui ao hipermercado para tentar compor a dispensa. Está tudo tão caro! Mesmo a comprar produtos de linha branca, a conta final foi exorbitante - 100 euros. Tenho que esperar pelas próximas promoções dos detergentes para a máquina, para tentar compra-los mais baratos - no limite, passamos a lavar a roupa à mão, com sabão, à antiga, embora isso me impeça de passar tempo com o meu filho. Já tinha passado a beber vinho bag-in-box às refeições, mas agora nem esse consigo comprar e a água, já só da torneira, que isto de água engarrafada era um luxo que agora dispensamos - se houver muita gente como eu, toda a cadeia de produção e distribuição de vinhos se vai ressentir...

Dia 3

Querido diário: hoje cairam-me as contas do gás e da electricidade. Um roubo!... e ainda falta a da água. Não vamos ter outra possibilidade que cortar com o aquecimento. Por enquanto, ainda o saldo está positivo e parece que consigo manter as contas equilibradas.

Dia 4

Querido diário: agora chegou-me a conta do seguro do carro e ainda por cima, está na altura de o levar à inspecção. Gaita! Com aqueles pneus à frente ele não vai passar - vou ter que telefonar ao Joaquim para me emprestar uns bons para levar nesse dia e os pneus novos vão ter que esperar pelo subsídio do Natal. Se ao menos tivesse transportes para o emprego, podia deixar de andar de carro.

Dia 5

Querido diário: como não podia deixar de ser, hoje caiu a prestação da casa. Bem arrependido estou de a ter comprado - ainda por cima, as taxas de juro subiram outra vez! Não fosse o mercado estar como está, punha-a já à venda e mudava-me para outra mais pequena.

Dia 6

Querido diário: hoje estive a olhar para as roupas do meu filho - o raio do puto não aguenta um par de calças mais que 3 meses - eu bem lhes ponho joelheiras, quando aparece com elas rotas, mas deixam de lhes servir num instante. O mesmo se passa com os sapatos e o equipamento de ginástica da escola. Já decidi que não compro nada em lojas - vou à feira e quero lá saber se aquilo é feito na China ou se é de contrafacção...

Dia 7

Querido diário: a DGCI mandou-me hoje um mail muito simpático para avisar que no próximo mês está na altura de pagar o IUC. Nunca percebi porque lhe chamam Imposto Único... mas também o que interessa é que tenho que o pagar e mai'nada. Espero bem que os tais salários em atraso me sejam pagos quando prometido, porque noutro caso, não sei como vou pagar...

Dia 8

Querido diário: hoje fui outra vez ao hiper. Os produtos frescos estão pela hora da morte e começamos a dar prioridade aos enlatados - são duas poupanças: os produtos são mais baratos e gasta-se menos energia a cozinhar. Claro que não sabem ao mesmo, mas a gente habitua-se. A conta foi outra de quase 150 euros e parece que o carrinho vem vazio. O saldo já está a menos de meio, mas o que sobra dá p'ra por à mesa até ao fim do mês.

Dia 9

Querido diário: o meu garoto hoje começou a tossir. A mulher diz que a casa está um gelo, mas vamos ter que aguentar assim - não podemos deixar a conta da luz para trás, ou eles cortam-na e se já é mau com frio, então com frio e às escuras ainda era pior. Como ela está desempregada, já dispensamos a mulher a dias e vamos mesmo passar a lavar a roupa manualmente - ainda lhe sobram mais 6 meses a receber do desemprego, mas isso passa num instante. Espero que depois arranje qualquer coisa, ainda que agora as empresas só queiram estagiários ou juniores - aos mais velhos, julgam-nos desactualizados e desprezam-lhes a experiência profissional anterior - preferem estes estagiários porque estão dispostos a trabalhar de borla só para conseguirem o averbamento do estágio. Talvez arranje qualquer lugar como telefonista ou caixa num hipermercado. Era professora de informática.

Dia 10

Querido diário: a tosse do miúdo agravou-se. Fomos às urgências e a médica receitou-lhe uns comprimidos e mais um xarope. Entre o pagamento da taxa moderadora (também não percebo o porquê de tal designação - só se for para moderar o impulso dos cidadãos para frequentar os hospitais, mas a qualidade dos hospitais do serviço público do país dos minimecos é tal, que não me parece que seja necessário moderar impulsos que não existem), mais a despesa da farmácia, o barco da economia doméstica sofreu mais um rombo no costado. Por enquanto, a situação ainda não é crítica e esta despesa ficou com o subsídio de desemprego da patroa. Também vai ser ela a pagar a inspecção do carro.

Dia 11

Querido diário: hoje faz anos a minha sogra - malvada da velha fica ofendida se não lhe fizermos um jantarinho com bolo e champanhe para o neto lhe cantar os parabéns e a minha mulher não dispensa o dar-lhe um presente. Odeio aniversários.

Dia 12

Querido diário: afinal, os anos da sogra não foram assim tão caros. E entre pais, irmãos, cunhados e sobrinhos, todos os meses há sempre alguma despesa destas para enfrentar. Mas ainda o mês não vai a meio e já só tenho um terço do que me depositaram. Não consigo compreender como vivem as pessoas que ganham o salário mínimo.

Dia 13

Querido diário: merda! O dia 13 é mesmo o dia do azar - tinha-me esquecido completamente que no mês passado fomos a Lisboa e agora chegou-me o extracto da Via Verde. Estou no ponto em que todos os tostões já contam e uma moeda de um cêntimo é guardada com tanto cuidado como se de uma nota de 100 se tratasse. Para ajudar a compor, chegou agora a conta da água... porque raio não mandam estas contas todas até ao dia 5, para a gente se organizar logo para o mês?

Dia 15

Querido diário: hoje vi na TV que as lojas de pronto a vestir começaram a fazer grandes promoções.  É pena não poder aproveitar, mas se for agora comprar roupa, arrisco-me a chegar ao fim do mês sem dinheiro... E como acontecem sempre imprevistos, a porcaria da máquina da loiça avariou - habitualmente, chamávamos o representante da marca, que vinha e facturava tudo como deve ser. Agora, temos que recorrer ao Zé da Esquina porque sempre se poupa o IVA e mesmo as peças ele mete-as a melhor preço (julgo que também as consegue por meio de algum cambalacho e devem ser igualmente isentas de IVA)...

Dia 16

Querido diário: estive a fazer as contas e ainda consigo ir outra vez ao hiper. Tenho que deixar dinheiro de lado para a propina escolar do puto e pode ser que consiga que não falte nada até ao fim do mês. Tal como está, com algum aperto, ainda vai dando. No entanto, já deixei de ir à peixaria da D. Perpétua - hummm, como era bom, aquele peixe fresquinho que ela ia buscar de madrugada à lota de Espinho - agora, compramos "douradas de aviário" importadas; não são tão boas, mas são muito mais baratas. Tanto pior para a D. Perpétua (dizem que está para fechar, mas não posso fazer nada)... imagino que para os pescadores também não esteja fácil. Ai! Não percebo para que raio o governo subiu o IVA - se ninguém consome nada, não é por aí que melhoram as receitas...

Dia 17

Querido diário: hoje é quase dia de festa - consegui chegar ao fim sem ter despesa nenhuma e sem ter gasto dinheiro. É claro que já deixei de tomar café, não compro jornais, nem vou a cinemas - não sei como é que essa gente que vive de tais negócios se arranja e até gostava de os poder ajudar. Infelizmente, já me dou por feliz se eu próprio não precisar de ajuda.

Dia 18

Querido diário: hoje quase bati com o carro. Normalmente desligo o motor à entrada da rua, para aproveitar a descida e poupar algum combustível, mas desta vez aconteceu que um miúdo se me atravessou e quase não conseguia travar. Consegui segurar o carro - o que não consigo é segurar o gasóleo no depósito: quando comprei o carro, há 8 anos, enchia o depósito com 30 euros e agora o mesmo combustível já me custa 75. E amanhã vou ter que ir enche-lo, porque já anda na reserva há 2 dias e se assim continuo ainda fico pelo caminho.

Dia 19

Querido diário: hoje recebi a carta da companhia de telecomunicações a dizer que ou pago os dois meses em atraso, ou cortam-me o serviço. Lá terei que reactivar a antena parabólica para apanhar televisão à borla e tanto pior para a internet. Para não termos tentações, já tinha tirado o cabo do telefone da ficha sem a mulher saber.

Dia 20

Querido diário: do que me depositaram este mês, estou reduzido a uns míseros trocos. Ainda me considero um cidadão feliz e privilegiado, porque a mulher ainda recebe do desemprego e porque conseguimos pagar o carro e não ter outro crédito pendente além da casa. Como não faz sentido manter este diálogo sem ir contando o que se passa - ou seja, quando não se passa nada - fico por aqui, até que me depositem novo vencimento. Deixo as preces de que não me tenha esquecido de despesa alguma ainda por enfrentar e de que o meu empregador de facto cumpra o prometido e pague os tais 2 meses em atraso...

Como é que se vive com o salário mínimo? Como é que se aguentam situações de meses a fio com salários em atraso? Como é que se sobrevive ao desemprego prolongado?

Não faço ideia... sou mesmo um privilegiado!


segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Fujam, que desta é que é... (ou talvez não - desculpem-me! Excitei-me outra vez!)


 De todas as grandes causas perseguidas e apoiadas pelos minimecos, atrevo-me a dizer que a que desperta mais paixões (em quantidade, em qualidade e em intensidade) é a das alterações climáticas. E claro, como paixão que é (e exacerbada) tem muito pouco de racional e nada de científico, embora os sensíveis apaixonados invoquem a ciência, os cientistas e - claro - os estudos para sustentarem as suas teorias e as respostas aos problemas que elas descrevem.

Evidentemente: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Dizer que não há alterações climáticas é estúpido. Elas estão aí, são visíveis e as suas consequências são - tantas vezes - dramáticas. Dizer que elas são culpa da actividade humana e que pagando mais impostos o problema é debelado (quiçá, para os mais tarat.... aaaahhhh optimistas, é isso, para os mais optimistas) o problema é mesmo resolvido é ainda mais estúpido.

Contudo, porque as alterações climáticas estão construídas em redor de uma narrativa que diaboliza o modo de vida moderno, e por essa via, tortuosa, mas ainda assim apaixonadamente seguida, se culpabiliza o capitalismo e o grande capital e coiso, as lutas pelo planeta e contra as alterações climáticas conseguem recrutar cada vez mais patet... aaahhhh... ecologistas, é isso, ecologistas, para engrossar as fileiras de tão nobres exércitos.

Ora se há coisa que me aborrece é aproveitarem-se da ingenuidade e da generosidade própria da juventude. Já bem basta a endoutrinação ostensiva imposta pelos programas de ensino e respectivos manuais escolares. Agora arranjarem agitadores para os convencer a "greves contra a emergência climática"???

É giro ver jovens que vão para a escola no carro do papá a protestar contra os efeitos da motorização sobre o clima (o impacto é ridículo - não o dos jovens, embora esse também - o da motorização). Confundirem poluição (que existe e deve ser combatida) com efeitos sobre o clima (que não temos - ainda - forma de combater) não é culpa dos jovens mas sim de quem faz os programas de ensino (e aprova os manuais escolares).

E é ainda mais giro ver que esses jovens são totalmente ignorantes quanto às consequências das medidas que estão a (dizem eles) defender, quer sobre o clima (provavelmente tão nulas quanto aquilo a que tais medidas se pretendem sobrepor) quer sobre o modo de vida das populações (ou seja, também a deles).

Enfim: querem saber de catástrofes climáticas? Preocupem-se! É ver a lista das que estão adiadas (basta lerem a imagem - a lista continua, mas como amostra... basta)